sábado, 29 de outubro de 2011

POESIAS PREMIADAS

PRIMEIRO LUGAR
Patrícia B. Neme
Rio de Janeiro


                     CAMINHOS

Não digas “rugas” aos desenhos do meu rosto,
Pois são veredas percorridas por meu ser;
Sulcos profundos- falam de dor e desgosto...
Lindas suaves- relembrando um bem querer.

Traçados firmes, demarcando cada agosto,
Esboços leves, projeção do que fazer;
Rugas são pregas num tecido velho e fosco...
Nada traduzem das estórias de um viver.

Meu mapa conta do lutar que foi constante,
De uma ventura – sempre efêmera e distante,
Do sofrimento consumindo o meu sonhar.

Mas, nas estradas que percorrem minha face,
A fé profunda, que supera todo impasse,
E faz da vida este sereno caminhar.


SEGUNDO LUGAR
Maria de Jesus de Sales Abreu
São Fidélis- RJ

FUGA

         “ Só tu soubeste achar-me e te foste”( Mario Quintana)

         Eu me fui de ti
Levando meu barco
Sem rumo
Sem porto
-sozinha...

Eu me fui de ti
Quebrando as asas
No vôo desesperado
Contra os rochedos do mundo...

Eu me fui de ti
Cegando os olhos
Na busca atormentada
Entre as ruínas da vida...

Eu me fui de ti
E o que me ficou
Foi um coração inquieto
Aflito
Sem ninho...

Eu me fui de ti
Deixando minha alma
Sem rumo
Nem corpo
-sozinha.



                              MULHER SELVAGEM

                                                                  Terceiro lugar

Arita Damasceno Pettená – nascida em Florianópolis – SC
Reside em Campinas – S. Paulo.


Quebrei a ânfora dourada
do interior da sala.
Caco por caco jazem para sempre
 no lixo sem memória
-Por que não restaurá-la?
Indagou uma voz em comovido tom.
O silêncio se fez ouvir mais forte
Prevaleceu o raciocínio lógico.
Destroço por destroço,
Jamais consegui juntar-me por inteiro,
E eu sou alma... e eu sou espírito...
Entre a peça de inestimável valor
E a vida que, pouco a pouco, se me esvai,
Perdôo a mim mesma
O gesto repentino e inesperado
Da arte que se expunha sobre a mesa,
A mulher-selvagem que existe dentro de mim
Clama espaços em órbitas de luz.
E eu era sombra do palco das lembranças:
Sou agora livro que se abre
Engolindo palavras de esperança...
E a ânfora?
-A ânfora agora sou eu,
Dourando de luar teus sonhos de amor.







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