quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Estrada Mágica

Eliana morava com sua família numa pequena cidade do interior, numa casa rodeada por varandas.  
Havia um quarto com banheiro para seus pais. E no comprido ficavam os quartos e o banheiro dos filhos.
Na esquina, próxima a casa, tinha uma estrada de barro duro.
 De um lado uma plantação de milho e muitas árvores grandes, com alguns galhos secos; do outro, várias bananeiras. Não havia flores nem pássaros, mas era lá que colhia bananas e espigas de milho para o lanche no colégio e dizia para as amigas: “essas frutas e espigas são da minha estrada encantada.”
 Pela estrada, todos os domingos, seu pai levava os filhos para pescar e caçar, enquanto Eliane divertia-se na cachoeira e nadava no rio.
 Gostava de colecionar orquídeas e sempre achava uma nova espécie. Ouvia o canto dos pássaros e olhava dentro dos ninhos se havia ovos ou algum filhote.
 Depois saia catando folhas e ervas para fazer remédios caseiros, que sua mãe recebia com alegria. Ela sabia usá-las com maestria e me ensinava, contando histórias de sua infância e de sua mãe, de quem aprendera.  Eram os únicos momentos em que nós duas conversávamos.
 E sempre que alguém chegava machucado, ela lavava a ferida e colocava os seus remédios, que curavam tudo
 Quando começava a escurecer voltavam pela estrada com os braços carregados de bananas maduras ou verdes, peixes para comer e muitas histórias para contar.
Cada um deles dizia ter visto algum bicho raro, diferente...
Algumas tardes, durante a semana, ela fugia pela estrada sozinha, em busca no seu paraíso.
A mãe ficava furiosa e dava ataques histéricos, e, dizia que era feia, e mal educada.
Eliane corria pela estrada e o pai ia lhe buscar, todo carinhoso, dizendo: “Sua mãe falou aquelas coisas só para lhe fazer raiva, mas você é a mais bonita e a mais inteligente de todos; e se não voltar comigo, eu também não voltarei. “Não conte a ninguém; é um segredo nosso, mas não sei viver sem você.”
Ela voltava toda convencida e não falava nada. Às vezes dava um risinho e uma piscada de olho para o Pedro, seu irmão preferido.
Na época das chuvas a estrada ficava cheia de lama e a mãe gritava muito zangada com a sujeira das roupas e da casa.
 Quando a família mudou-se para a cidade grande, a menina foi se despedir da estrada mágica que sempre a levara ao paraíso.

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