CONFIÇÃO
Zuleica, moça recatada, temente a
Deus e seguidora de Seus mandamentos, apaixonou-se pelo homem inacessível.
Sua vida transformou-se num inferno,
onde a luta entre o bem e o mal, poderia levá-la para o céu ou inferno.
Morava com a irmã casada, e estava
apaixonada pelo cunhado. Nunca teve certeza de ser correspondida. Mas, enquanto
sua irmã vivia atarefada, cuidando dos filhos, ela o mimava de todas as
maneiras, e trabalhar para ele não era pecado. E, a cada agradecimento, a cada
palavra gentil, demonstração de afeto ou elogio que ouvia dele, era como se fosse a maior e melhor
declaração de amor e aumentava a esperança de tê-lo conquistado. Tudo isso era
acompanhado pelo medo de cometer pecado e merecer a condenação após a morte.
Trabalhar para ele não era pecado,
por isso ela satisfazia sua gula, cuidava de sua roupa, enquanto a irmã vivia
atarefada com os filhos pequenos. E a cada agradecimento, a cada elogio que
ouvia era como se fosse uma declaração de amor.
Nas noites quentes, quando seu corpo queimava como
brasa, ela fechava os olhos e se acariciava pensando nele e o sentia entrando
nela.
Sim, ele era
seu. Só ficava com a irmã por causa dos filhos. Era bom e não fugiria da
responsabilidade de pai.
No inverno, debaixo de cobertores,
imaginava-se em seus braços, aquecida por ele. Muitas vezes, ao acordar, tinha
certeza de que ele estivera ali, na sua cama.
Corria à Igreja, e, no confessionário, dizia ao Padre Fred que
passara a noite com o cunhado. Chorava, cumpria a penitência e voltava para
casa com o sincero propósito de deixar seu homem para a irmã e sobrinhos. E
Deus a perdoaria. Mas, a noite sonhava
com o corpo dele sobre o dela.
Durante o dia pensava nele e fantasiava um grande amor.
Os anos passavam e, com eles, sua
juventude. Mas nunca desistiu de viver essa relação impossível.
Um dia sua menstruação atrasou.
Talvez, entrando no climatério, ou quem sabe, fosse um descontrole hormonal.
Ela, no entanto, se convenceu de que estava grávida e foi à Igreja pedir
conselhos. E perguntou ao Padre: - Devo
fazer aborto para salvar a reputação do home a quem adoro?
- Claro que
não! É um pecado mortal e você vai para o inferno – disse o pároco.
- Devo
confessar tudo a minha irmã? – insistiu.
- Assim como
confessou a mim. – respondeu o homem de Deus.
Á noite,
quando Silvio chegou,Zuleica disse que precisava conversar com o casal.
- Pode ser
depois do jantar? Estou morto de fome.
- Claro. Mas
essa história tem que ser resolvida hoje.
Depois que as crianças foram dormir,
os três reunidos defronte a televisão, Zuleica olhou para a irmã e disse de um
fôlego só: “Estou grávida do seu marido”.
A mulher paralisada, só olhava de um
para o outro.
Silvio assustado com a estapafúrdia
confissão, voou na direção da cunhada gritando – Como? Você enlouqueceu? Jamais
a vi como mulher.
Olhando
desesperado para a esposa, continuou. – Se ela está grávida, o que duvido, não
é de mim. Juro pelos meus filhos.
Zuleica continuou delirante: - Você me visitou tantas vezes nesses anos
todos...
Descontrolado e violento, Silvio
desferiu uma bofetada, do tamanho de seu ódio, e deixou-a caída no chão.
A cunhada levantou-se, e, com os
olhos cheios de lágrimas, fugiu para a rua. O carro que passava em alta
velocidade bateu nela, não lhe dando tempo para dizer a verdade.
E Zuleica foi confessar a Deus sua
culpa