sábado, 29 de outubro de 2011

MEU GRUPO

                                                          O GRUPO

Resolvi entrar num grupo de aspirantes a escritores.
Meu professor disse: 
-Eles são fortes!
- Você não acredita em mim?
-Então faça uma apresentação e cabe aos membros do grupo lhe aceitar ou não – respondeu
Adoro desafios. Eles fazem de mim mais forte, mais ousada.
Assim comecei a escrever um pouco de mim exagerando em alguns fatos, minimizando outros e Terminei dizendo que precisava do professor e de cada um do grupo para me aprimorar.
Somente um membro se manifestou, mostrando simpatia e acolhimento.  A dona da casa estava com o pé deslocado e a filha única viajando para morar na Suíça. Soube que o filho tinha morrido. Compreendi sua frieza e logo descartei o conto que levei para ler, pois era a história de uma mulher que perdera o filho. O outro que tinha comigo era longo, mas,  um dos melhores que escrevi.
        A dona da casa leu uns versinhos para criança. Sua especialidade.
O professor disse: “comentem”.
“Eu não sei fazer uma rima sequer por isso seria ousadia criticar versos. Mas  sei que gostei”.
Os outros  membros entraram numa discussão sobre a idade ideal da criança para ler aquela poesia.
      Em seguida um homem bonito com sotaque de gaucho leu o seu trabalho.
“Esse parece  com o outro que você fez,” alguém se manifestou.
 E você Margarida o que acha?
“É  filosófico e triste. Fala em perda e saudade.”
“Atualmente só consigo escrever sobre aquele assunto” diz o escritor para todo o grupo.
“Está bom, mas prefiro o outro, da semana passada,” fala o professor.
Chega finalmente a minha vez. Leio o meu conto e ouço:  “Está muito longo, tire algumas personagens”. Você escreve muitas vezes ‘eu quero’, diz outra. E o professor: “Faça os acertos e traga na próxima semana”.
Queria dizer que todos fossem a merda que não tem nenhum acerto a fazer. Mas, me controlei.

Saí conversando com o artista que lera meu conto, aquele que me recebeu calorosamente.
Gostei dele. Meio brincando, meio falando sério ele me disse: “Hoje faltou muita gente. Depois você verá onde se meteu...
Na quarta feira seguinte recebi um email do meu professor dando um tema para escrever e dizendo que a aula continuaria sendo no mesmo endereço e à mesma hora. Dessa vez teríamos um lanche delicioso.
      A sala estava cheia de alunas e a mesa realmente farta. Talvez tenha conhecido todos os colegas simpáticos e antipáticos.  Mas a grande surpresa veio do artista de quem tinha gostado tanto. Agora estava fechado e áspero, grosseiro até com o professor de quem fez comentários indesejáveis sobre o nosso orientador.
  Eu tinha escolhido cuidadosamente um  conto sobre culpa, assunto  preferido  do professor.
Entre comida e bebidas as leituras foram feitas. Alguns trabalhos corrigidos, pouca novidade.
Sobre o meu a dona da casa disse que o fim da historia era inverossímil. Alguém não concordou e eu nem respondi.
      No meu terceiro encontro com o  grupo cheguei atrasada levando o meu conto e um exercício passado por email com o tema  - Saudade de sentir saudade.- e mais um conto sobre culpa.
   Não o sei se os exercícios foram lidos, sei que o meu não foi cobrado.
A dona da casa estava lendo um texto pequeno, menor do que a poesia da semana anterior. Era uma história sobre o linho que acabou sendo sobre os diferentes tipos de lenços.
Depois ouvi uma crônica ou história, bem redigida, de uma advogada falando sobre cantores do passado e as emoções que sentiu ao ouvir suas músicas.
Uma senhora que estava deitada no sofá veio ler o seu trabalho. Uma viagem pelo metro e os encontros que teve. Nós rimos sobre a sua conversa com um garoto fantasiado e sua mãe presidiária.
Chegou minha vez e depois ouvi as críticas.
A que escreve pouco disse que contos devem ser pequenos e os meu era muito grande. Outro disse que nem tinha percebido que eu escrevera sobre um psicopata. A advogada não achou nada novo já que trabalha nessa área.
Finalmente aceitei uma crítica inteligente. Eu enfocara muito o pai e a história era da filha.
Mudei o fim.
Os dois filhos mataram o pai bandido.
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