Nos últimos
meses que passei no colégio, senti emoções contraditórias e desconhecidas.
Saudade,
medo, vontade de ficar, desejo de correr para conhecer a vida que me esperava
lá fora.
Sempre
buscando um lugar para meditar, me afastei de todas as colegas e pouco falava
com as freiras.
Nas noites
de lua cheia, eu me sentava no banco do pátio e ficava observando o céu,
estrelado. O cheiro das flores era mais
intenso.
Às vezes eu
via a beleza e elegância da lua nova.
Olhava para
baixo e observava as luzes da cidade, como pontos de ouro brilhantes.
Eu era a
aluna mais antiga do colégio e jamais percebera beleza que estava à minha
volta.
E pensava em
cada uma e no quanto foram importantes
para mim.
Sentiria
saudade das humildes Irmãs que nos serviam, cuidavam das nossas roupas e
limpavam salas e dormitórios.
Talvez sentisse falta até da Madre Superiora
com aquela aparência fria e distante. Embora tivesse um bom relacionamento com
algumas alunas, chamadas de “queridinhas de Nossa Madre.”
Eu sentia ciúmes e sonhava com o dia em que eu
faria parte do grupo.
O meu sonho de casar com o irmão de alguma
colega de família tradicional não se
realizou.
Pedro, rapaz simplório, tentou me
conquistar acendendo e apagando os faróis do carro, para me provar que estaria
ali sempre a minha espera. Sumiu.
Sentia-me tão melancólica, que pouco
me importei com os preparativos da formatura.
Era como um passarinho que, depois de
anos preso na gaiola, encontra a porta
aberta, e tem medo de voar.
Mas, quando dezembro chegou, e com ele as festas de Natal, mamãe
foi ao colégio cheia de planos e promessas.
Meu coração bateu forte, quando ela me
entregou a passagem que me daria asas, para voar bem longe.
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