segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

VOO PARA A LIBERDADE

            Nos últimos meses que passei no colégio, senti emoções contraditórias e desconhecidas.
            Saudade, medo, vontade de ficar, desejo de correr para conhecer a vida que me esperava lá fora.
            Sempre buscando um lugar para meditar, me afastei de todas as colegas e pouco falava com as freiras.
            Nas noites de lua cheia, eu me sentava no banco do pátio e ficava observando o céu, estrelado. O cheiro das flores era mais  intenso.
            Às vezes eu via a beleza e elegância da lua nova.
            Olhava para baixo e observava as luzes da cidade, como pontos de ouro brilhantes.
            Eu era a aluna mais antiga do colégio e jamais percebera beleza que estava à minha volta.
            E pensava em cada uma e no quanto  foram importantes para mim.
            Sentiria saudade das humildes Irmãs que nos serviam, cuidavam das nossas roupas e limpavam salas e dormitórios.
             Talvez sentisse falta até da Madre Superiora com aquela aparência fria e distante. Embora tivesse um bom relacionamento com algumas alunas, chamadas de “queridinhas de Nossa Madre.”
 Eu sentia ciúmes e sonhava com o dia em que eu faria parte do grupo.
 O meu sonho de casar com o irmão de alguma colega de família tradicional não  se realizou.
Pedro, rapaz simplório, tentou me conquistar acendendo e apagando  os  faróis do carro, para me provar que estaria ali sempre a minha espera. Sumiu.
Sentia-me tão melancólica, que pouco me importei com os preparativos da formatura.
Era como um passarinho que, depois de anos preso na gaiola,  encontra a porta aberta, e tem medo de voar.
Mas, quando dezembro  chegou, e com ele as festas de Natal, mamãe foi ao colégio cheia de planos e promessas.

 Meu coração bateu forte, quando ela me entregou a passagem que me daria asas, para voar bem longe. 

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