SAGRADO
SEGREDO
Catarina morreu e Umberto não sabia o
que fazer de seus filhos. Ganhava pouco e estava totalmente despreparado para
tomar conta de sete crianças. Assim, resolveu separá-las. As mais novas foram
entregues aos tios, enquanto as mais velhas ficaram internadas em colégios do
governo.
Mudou de
cidade, lutou e trabalhou muito. Anos
depois, sentiu-se capacitado para reunir os filhos numa casinha simples, mas
confortável.
Marcia, a
caçula, estava então com doze anos, e foi a última a se reunir a família. Gostou
de todos, mas, ficou encantada por Maurício. Ele era o mais bonito, o mais
alegre e estava sempre brincando com a ela. A afinidade entre os dois foi
instantânea e transformou-se um afeto cheio de cuidados e carinhos. Ela cuidava
de suas roupas e tinha sempre pronto um refresco, um biscoito, quando ele
chegava a casa. Ele, por sua vez, trazia sempre um chocolate, sorvete, ou
qualquer objeto que pudesse agradar a uma adolescente.
Juntos, iam ver o filme mais cotado,
a peça de teatro mais falada, ou
participavam de uma festinha na casa de algum amigo. A companhia de um, bastava
para o outro. O mundo estava completo.
Naquela noite chuvosa, todos foram
para a festa de aniversário da tia Aurora
Ela, no entanto, preferiu fazer companhia ao irmão
predileto, que estava resfriado e febril.
Os trovões estouravam com fortes
ruídos e os relâmpagos iluminavam a casa toda.
Maurício acordou assustado e chamou a
irmãzinha. Ela, no seu quarto, tentava controlar o medo.
Quando
ouviu o chamado do rapaz, correu para seus braços protetores. A menina sentiu o
corpo dele suado e quente. Os dois foram tomados por estranha sensação. Um
arrepio subindo pelas costas, um desejo desconhecido, confusão misturada com
vergonha.
Maurício acendeu o abajur da mesa de
cabeceira. Sua mão tremia diante da revelação.
Não amava apenas a irmãzinha. Estava atraído pela mulher em que ela se
transformava.
A partir dessa noite, todas as vezes
que o rapaz chegava a casa, ia até a cama da irmã e afagava suas costas,
subindo e descendo as mãos, numa carícia aparentemente fraterna. Ela adorava
aquele toque e, quieta, fingia dormir.
Nas tardes de sábado e domingo, enquanto ele descansava,
sorrateiramente, ela deitava-se ao seu lado. Ele fingia está dormindo e posicionava-se
de modo a sentir seu corpo inteiro. Algumas vezes, a garota sentia parte dele,
volumosa e rija, em suas coxas.
Quando alguma colega dela tentava se aproximar do irmã, ficava
envaidecida e cheia de poder. Ele, no entanto, zangava-se com qualquer amigo
que se engraçasse pela irmã. Falava mal
de cada um e encontrava defeitos em todos. Um dia, meio acanhado, confessou que
estava com ciúme.
O tempo passou, chegou o dia em que
Mauricio, já formado, teve que mudar de casa e de cidade.
Misturado a alegria de
ter conseguido um bom emprego, seu coração doía de saudade da família e,
principalmente, da caçula.
Na véspera da viagem, enquanto todos
dormiam, ele padecia de uma insônia exasperante. Levantou-se, saiu do quarto em
busca do quê fazer naquela interminável.
Conversar com a irmã caçula era
prazeroso.
Logo a escuridão da
noite daria lugar ao clarão do dia. Foi
ao quarto da irmã conversar. Ela dormia com a roupa com a saia levantada,
deixando as coxas à mostra. Parecia tão abandonada em seu sono! Era comovente. Como
de hábito, pegou em seus cabelos,
deslizou as mãos em suas costas, provocando prazer na garota já desperta, que
agora o olhava carinhosamente.
Mauricio beijou sua boca. Ofegante, ela correspondeu oferecendo-se ao desejo dele.
Rolaram, abraçados no estreito colchão. Junto com a dor da separação, veio a
excitação incontrolável. A razão deu lugar
ao prazer imensurável. E ela, finalmente era mulher. Sua mulher. Riam, enquanto
enxugavam as lágrimas de prazer.
Amanheceu e ele partiu.
Um dia conheceu uma mulher e casou-se.
E ela viveu uma vida cheia de romances e paixões.
Muitas vezes seus caminhos se cruzam e ele sempre amigos,
carinhosos e compreensivos.
Jamais falaram sobre aquela noite de amor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário