DOMINGO DE SOL
O dia estava claro, o mar revolto com ondas fortes e na areia, barracas coloridas sobre cabeças incontáveis.
Sentei numa mesa com as pernas apoiadas numa cadeira, bebendo água de coco e imaginando como seria a vida submersa naquela imensidão de água. Iemanjá existirá? É possível. Nós temos deuses e santos, eles também.
Sobre minha cabeça uma enorme águia voava.
Como seria a vida da maior ave do mundo? Desejei ter a sua força e a capacidade de ir até as mais altas montanhas, tão alto que só ela alcança.
Mas, a águia é tão sozinha... Não gosto de viver só.
Olhei para um grupo de andorinhas que se aproximavam São aves pequenas que voam em grupo. Fazer parte de um todo é melhor do que ser o todo, pensei, desistindo de ser águia e, querendo ser gaivota.
À mesa, ao meu lado, estava ocupada por um homem e uma garotinha. Percebi que ela estava indignada com o pai e, tratei de ouvir a conversa.
Pai, você disse que não podemos mentir, mas, você mentiu para a mamãe.
- Eu não mentir. Estava brincando.
- Então podemos mentir de brincadeira?
- Não é isso, atrapalhou-se o homem. Eu só quis dizer que a Anita não estava lá em casa para sua mãe não precisar correr.
- Não pai, você disse para a mamãe que nós dois estávamos sós, e era mentira.
O pai apelou para sua autoridade.
- Não aceito que você diga que eu sou mentiroso.
- Mas, é, insistiu a menina.
- Me respeite, senão, eu lhe dou um castigo.
- Por que eu estou dizendo a verdade? Não compreendo...
A criança confusa, o pai zangado, e eu sonhando ser uma grande águia solitária, ou uma gaivota, entre todas as que voavam sobre nossas cabeças.
Tudo acontecendo debaixo daquele sol escaldante que brilhava sobre todos, num domingo de verão.
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