A PEDRA DO PRAZER
Passei anos sem voltar á minha terra. Estava cheia de curiosidade em rever os lugares que recordavam minha infância e adolescência.
· Acordei antes de todos da casa onde me hospedei, e, silenciosamente, me vesti e fui ver o mar verde, como sempre ficava nos dias de sol, e caminhar por toda a orla, agora pavimentada e cheia de belas construções.
· O prédio enorme, e, de beleza inquestionável, que encontrei,não me consolou da saudade que senti.
· Mas lá, de pé, resistindo aos vantajosos apelos imobiliários, estava o clube onde me diverti e conheci meu primeiro amor.
· Procurei o barraco do Seu Genuíno, onde sempre parávamos para beber água de coco, abrir e comer a laminha”,enquanto o velho pescador dizia para meu namorado: “Tenho tanta admiração por vocês que pilotam aviões! Por mais longe que eu vá com a minha jangada, vocês vão mais do que eu. voces são muito corajosos”. Corajosos eram eles, que enfrentavam as ondas até alto mar numa frágil jangada.
E a enorme pedreira para onde fugíamos, a fim de nos beijar e nos acariciar, onde estaria. Em seu lugar, encontrei um bar. Pelo menos continuava a ser lugar de diversões, afagos e sarros.
· Ao atravessar a rua, vi uma ponte entrando mar adentro. Caminhei nela por muitos metros . No final encontrei as pedras! E pensei: estará ali aquela pedra branca, grande, que me parecia macia, a mesma onde me tornei mulher. Precisava pegar aquela pedra!
· O prédio enorme e, de beleza inquestionável, que encontrei não me consolou da saudade que senti.
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