segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O INQUILINO

 O INQUILINO
          Ele foi o quarto candidato que apareceu naquele domingo. Jovem, simpático e falante, foi o escolhido para meu inquilino.
          Contou-me que na década de sessenta sua mãe, filha de um Oficial da Aeronáutica, fugiu de casa em companhia de um hip. Viveram em várias cidades de muitos países europeus. Ele e seu irmão jamais conheceram um lar estável. Mas, gostara da variedade de línguas que aprendeu e costumes que conheceu.
          Logo eu estava encantada, e todas as noites esperava só dormia depois que ele chegava, sempre contando histórias vividas ou  projetos que fazia.
 Uma noite chegou tarde, entrou no meu quarto sem pedir licença, sentou-se no chão, falou da namorada que deixara na Alemanha e como era a vida sexual deles. Em seguida me perguntou se eu sabia o que era tantra.
Deve ter bebido, pensei.
Veio devagar, acariciou minha cabeça, cada pedacinho do meu corpo e mostrou-me como era tantra e outras modalidades de sexo. Assim, nos tornamos amantes.
          Todas as noites ainda eu o via chegar. Nem sempre ia ao meu quarto. Mas eu, o esperava acordada. Sempre disponível, sempre ansiosa, pelos seus carinhos.
          Ele crescendo, invadindo o meu espaço, trazendo amigos e irmãos para comerem e beberem quando lhe interessava.
          Comecei a sentir enjoos, vontade de vomitar. Não sabia que cheiro estranho tomara conta da minha casa.
          Numa manhã ao chegar a sala encontrei o meu hospede fumando aquele cigarro fedorento e cheirando alguma coisa  que não identifiquei.  Assustada, percebi que ele se drogava. Argumentou que nos países de onde vinha era lícito.
Aqui não, respondi. E contei a história de dois sobrinhos inutilizados pelo vício.
          Prometeu não mais usar drogas na minha casa.
          Fiquei convencida de que não haveria mais problemas com o  meu inquilino e agora também, meu amante.
Um dia, três guardas vieram ao meu apartamento em busca de um traficante de drogas internacional. Vieram com mandato judicial, entraram no meu apartamento, e, no quarto do inquilino encontraram tudo que precisavam para me incriminar como receptadora. 

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