quarta-feira, 6 de maio de 2015

MISTÉRIO DESVENDADO

                               
            Naquele enorme prédio, no centro da cidade, onde trabalhamos nos últimos anos, transformara-se num lugar de pavor.
            Os empregados da noite estavam estressados e já não conseguiam tirar aqueles cochilinhos de antigamente.
 E quando os funcionários diurnos chegavam, sempre ouviam a mesma história.
            “ Tem alma penada aqui. Durante toda a noite  ouvimos gritos e muitas vezes gemidos até o amanhecer”.
         As reclamações seguidas fizeram com que o Diretor chamasse policiais para vasculhar salas, corredores e banheiros.
         Alguns entravam no clima de horror, outros mais durões negavam a existência de almas penadas, embora admitissem 
ouvir estranhos barulhos. Mas, não chegavam a nenhuma conclusão.
         E o encanto, ou desencanto, continuou por todo aquele ano...
         O fato inusitado foi para a pauta da última Reunião do Conselho, naquele fim de ano.
         Causou risos de uns, preocupações de vários, mas, ninguém resolveu o problema. Os vigias que ali estavam na noite de Natal, Ano Novo e carnaval, tiveram como companhia aqueles sons estranhos. Alguns até, se acostumaram com os ruídos misteriosos.
         No ano seguinte um novo Diretor assumiu e outros funcionários tomaram novos cargos em diferentes salas equipadas e, cada vez mais luxuosas.
         Por algum motivo o Diretor ficou até tarde terminando algum processo. E lá estava quando os sons recomeçaram.
         Sem fazer alarme, sozinho, resolveu desvendar aquele enigma. Vasculhou cada sala, sem nenhuma inibição, abriu gavetas, olhou os banheiros e armários.
         Inconformado, entrou no elevador e fez vistoria em cada andar.
         A noite já invadida pela tênue clarão do dia, quando exausto ele sentou na poltrona, descansando de sua infrutífera busca.
         E, foi mais para ver o espetáculo do nascer de um novo dia que ele saiu pelas calçadas desertas.
         Qual não foi a surpresa, quando logo embaixo da janela da sala onde passara a noite, dois homens sujos e mal cheirosos, em movimentos ritmados, gemiam, trocavam beijos e palavras de amor.
         O executivo parou ao lado deles.
         Como que voltando de longe, um homem se aconchegou, enquanto o outro dizia: “calma, eu não vou deixar que ele toque em tu. A parada é comigo”.
         E voltando-se para o intruso, como quem quer sair no soco, disse: “bata em mim. A parada é comigo. Deixa minha mulher em paz”.
Suas próprias satisfações os deixavam fora de qualquer intromissão. Não viam nem ouviam nada. 
          E foram com seu odor e suas mãos entrelaçadas em busca de um novo ninho de amor.
         Realmente, para o rico empresário, era uma situação imprevisível.
         No dia seguinte, o descobridor do mistério convocou todos os funcionários para uma reunião extraordinária.
Decifrar e resolver o problema dos barulhos misteriosos, foi um alívio para aqueles que sofreram noites de pavor.
         E assim, as noites na Empresa tornaram-se silenciosas e cheias de tédio.

          

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