quarta-feira, 8 de abril de 2015

CONFIÇÃO

CONFIÇÃO

            Zuleica, moça recatada, temente a Deus e seguidora de Seus mandamentos, apaixonou-se pelo homem inacessível.
            Sua vida transformou-se num inferno, onde a luta entre o bem e o mal, poderia levá-la para o céu ou inferno.
                Morava com a irmã casada, e estava apaixonada pelo cunhado. Nunca teve certeza de ser correspondida. Mas, enquanto sua irmã vivia atarefada, cuidando dos filhos, ela o mimava de todas as maneiras, e trabalhar para ele não era pecado. E, a cada agradecimento, a cada palavra gentil, demonstração de afeto ou elogio que ouvia dele, era como se fosse a maior e melhor declaração de amor e aumentava a esperança de tê-lo conquistado. Tudo isso era acompanhado pelo medo de cometer pecado e merecer a condenação após a morte.
            Trabalhar para ele não era pecado, por isso ela satisfazia sua gula, cuidava de sua roupa, enquanto a irmã vivia atarefada com os filhos pequenos. E a cada agradecimento, a cada elogio que ouvia era como se fosse uma declaração de amor.
            Nas noites  quentes, quando seu corpo queimava como brasa, ela fechava os olhos e se acariciava pensando nele e o sentia entrando nela.
Sim, ele era seu. Só ficava com a irmã por causa dos filhos. Era bom e não fugiria da responsabilidade de pai.
            No inverno, debaixo de cobertores, imaginava-se em seus braços, aquecida por ele. Muitas vezes, ao acordar, tinha certeza de que ele estivera ali, na sua cama.
            Corria à Igreja, e,  no confessionário, dizia ao Padre Fred que passara a noite com o cunhado. Chorava, cumpria a penitência e voltava para casa com o sincero propósito de deixar seu homem para a irmã e sobrinhos. E Deus a perdoaria.  Mas, a noite sonhava com o corpo dele sobre o dela.
Durante o dia pensava nele e fantasiava um grande amor.
            Os anos passavam e, com eles, sua juventude. Mas nunca desistiu de viver essa relação impossível.
            Um dia sua menstruação atrasou. Talvez, entrando no climatério, ou quem sabe, fosse um descontrole hormonal. Ela, no entanto, se convenceu de que estava grávida e foi à Igreja pedir conselhos. E perguntou ao Padre:  - Devo fazer aborto para salvar a reputação do home a quem adoro?
- Claro que não! É um pecado mortal e você vai para o inferno – disse o pároco.
- Devo confessar tudo a minha irmã? – insistiu.
- Assim como confessou a mim. – respondeu o homem de Deus.
Á noite, quando Silvio chegou,Zuleica disse que precisava conversar com o casal.
- Pode ser depois do jantar? Estou morto de fome.
- Claro. Mas essa história tem que ser resolvida hoje.
            Depois que as crianças foram dormir, os três reunidos defronte a televisão, Zuleica olhou para a irmã e disse de um fôlego só: “Estou grávida do seu marido”.
            A mulher paralisada, só olhava de um para o outro.
            Silvio assustado com a estapafúrdia confissão, voou na direção da cunhada gritando – Como? Você enlouqueceu? Jamais a vi como mulher.
Olhando desesperado para a esposa, continuou. – Se ela está grávida, o que duvido, não é de mim. Juro pelos meus filhos.
            Zuleica continuou delirante: -  Você me visitou tantas vezes nesses anos todos...
            Descontrolado e violento, Silvio desferiu uma bofetada, do tamanho de seu ódio, e deixou-a caída no chão.
            A cunhada levantou-se, e, com os olhos cheios de lágrimas, fugiu para a rua. O carro que passava em alta velocidade bateu nela, não lhe dando tempo para dizer a verdade.

            E Zuleica foi confessar a Deus sua culpa

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