quarta-feira, 8 de abril de 2015

YOUTUBE

                YOUTUBE

            Naquela manhã de segunda feira, abri a porta para uma amiga, acompanhada de uma jovem de pele fina, cabelos negros e olhos brilhantes. 
            Soube então, que ela era a candidata ao emprego de doméstica.  Conversamos sobre ordenado, serviços e dias de folga. Tão cordata como bonita, a moça entrou com sua pequena maleta.
                        Minha vizinha rindo disse: “mulher tu és doida ou muito corajosa? Estou querendo me livrar dela porque é bonita demais para ficar próxima do meu filho e do meu marido. Vim de dar um trote, antes de devolvê-la para Imperatriz. Jamais acreditei que você fosse aceitá-la.”
            Assim entrou na minha casa a melhor empregada que tive. E todos a chamavam de Miss Maranhão.
            Logo soube de sua história e o motivo da fuga de sua casa e de sua terra
             Ela, muito jovem e muito pobre, deixou-se seduzir e seduziu o valente e temido prefeito, homem velho e casado. Mais valente do que ele, era sua mulher, Dona Marieta, que enciumada, aplicou surras na rival.
O romance continuou mais tórrido e ameaçador. A esposa traída,  contratou capangas matadores, para tirar a vida da jovem.
Ela foi forcada a fugir, de tudo e de todos.
Mesmo de longe, os amantes se falavam por telefone.
A saudade apertou e ele decidiu buscá-la. Chegou de surpresa e levou-a para o melhor hotel da cidade, jantaram no restaurante mais badalado e foram se amar na suíte presidencial.
O amor de Marina era enorme, mas o medo da morte era maior ainda. Escolheu ficar na minha casa, e eu continuei a ter a mais competente doméstica que conheci.
Levantava tapetes, arrastava móveis, e a comida que preparava, jamais vi igual.
E os telefonemas foram escasseando e a solidão dela, aumentando.
Preocupada, insisti para que fosse passar um fim de semana na casa da minha costureira. Ela gostou e repetiu.
Os telefonemas do Maranhão rareavam, e os passeios nos fins de semana,  aumentavam.
Numa segunda feira ela me disse que ia morar com o afilhado da costureira.
Assim perdi a Miss Maranhão. A melhor doméstica que conheci.
Algumas semanas de saudade e, eis que ela volta com o corpo machucado e o coração doído. Levara uma surra do rapaz.
A pena que senti, misturou-se com a alegria de seu retorno. Mas, durou pouco. Logo o novo amor veio buscá-la com promessas e juras, que jamais cumpriria.  Ela acreditou.
Fiquei anos sem ouvir falar de Miss Maranhão. Até esqueci seu verdadeiro nome.
Um dia, Maria telefonou aflita, pedindo que eu ligasse o rádio porque estavam dando notícias de Marina.
- Quem é Marina – perguntei.
- Aquela sua empregada que casou com meu afilhado – respondeu
Mal conseguindo falar, minha antiga costureira, contou tudo sobre o destino da Miss Maranhão.
Depois de vários anos, um filho, e um sem números de surras, ela o abandonou.
Inconformado, ele continuou a persegui-la.
Marina disse que não gostava mais dele,  que estava grávida de um novo amor.
 Ele deu cinco tiros nela.
Tomado de culpa, o assassino entregou-se a polícia.
E a garota que fugira de sua terra para não morrer assassinada, acabou morrendo pelas mãos de outro, no exílio forçado.

Sua morte trágica, estava escrito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário