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Naquela manhã de segunda feira, abri
a porta para uma amiga, acompanhada de uma jovem de pele fina, cabelos negros e
olhos brilhantes.
Soube então, que ela era a candidata
ao emprego de doméstica. Conversamos
sobre ordenado, serviços e dias de folga. Tão cordata como bonita, a moça
entrou com sua pequena maleta.
Minha
vizinha rindo disse: “mulher tu és doida ou muito corajosa? Estou querendo me
livrar dela porque é bonita demais para ficar próxima do meu filho e do meu
marido. Vim de dar um trote, antes de devolvê-la para Imperatriz. Jamais
acreditei que você fosse aceitá-la.”
Assim entrou na minha casa a melhor
empregada que tive. E todos a chamavam de Miss Maranhão.
Logo soube de sua história e o
motivo da fuga de sua casa e de sua terra
Ela, muito jovem e muito pobre, deixou-se
seduzir e seduziu o valente e temido prefeito, homem velho e casado. Mais
valente do que ele, era sua mulher, Dona Marieta, que enciumada, aplicou surras
na rival.
O romance continuou mais tórrido e ameaçador. A esposa traída, contratou capangas matadores, para tirar a
vida da jovem.
Ela foi forcada a fugir, de tudo e de todos.
Mesmo de longe, os amantes se falavam por telefone.
A saudade apertou e ele decidiu buscá-la. Chegou de surpresa
e levou-a para o melhor hotel da cidade, jantaram no restaurante mais badalado
e foram se amar na suíte presidencial.
O amor de Marina era enorme, mas o medo da morte era maior
ainda. Escolheu ficar na minha casa, e eu continuei a ter a mais competente
doméstica que conheci.
Levantava tapetes, arrastava móveis, e a comida que
preparava, jamais vi igual.
E os telefonemas foram escasseando e a solidão dela,
aumentando.
Preocupada, insisti para que fosse passar um fim de semana na
casa da minha costureira. Ela gostou e repetiu.
Os telefonemas do Maranhão rareavam, e os passeios nos fins
de semana, aumentavam.
Numa segunda feira ela me disse que ia morar com o afilhado
da costureira.
Assim perdi a Miss Maranhão. A melhor doméstica que conheci.
Algumas semanas de saudade e, eis que ela volta com o corpo
machucado e o coração doído. Levara uma surra do rapaz.
A pena que senti, misturou-se com a alegria de seu retorno.
Mas, durou pouco. Logo o novo amor veio buscá-la com promessas e juras, que
jamais cumpriria. Ela acreditou.
Fiquei anos sem ouvir falar de Miss Maranhão. Até esqueci seu
verdadeiro nome.
Um dia, Maria telefonou aflita, pedindo que eu ligasse o
rádio porque estavam dando notícias de Marina.
- Quem é Marina – perguntei.
- Aquela sua empregada que casou com meu afilhado – respondeu
Mal conseguindo falar, minha antiga costureira, contou tudo
sobre o destino da Miss Maranhão.
Depois de vários anos, um filho, e um sem números de surras,
ela o abandonou.
Inconformado, ele continuou a persegui-la.
Marina disse que não gostava mais dele, que estava grávida de um novo amor.
Ele deu cinco tiros
nela.
Tomado de culpa, o assassino entregou-se a polícia.
E a garota que fugira de sua terra para não morrer assassinada,
acabou morrendo pelas mãos de outro, no exílio forçado.
Sua morte trágica, estava escrito.
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